CIDADE DO RIO DE JANEIRO: um pouco da sua história .


 

Cristina Luiza Goulart do Amarante

Maria Conceição Quintanilha

 

 

A Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, durante sua trajetória, foi palco de momentos inesquecíveis. Alguns foram dramáticos, muitos deles fascinantes, outros cheios de pompa e vários de muita luta. Porém todos, cada um a seu modo, vieram traçar o seu perfil e dar-lhe um encanto que vai além das belezas naturais tornando-a, para sempre, a “Cidade Maravilhosa”.

Sua história começou no primeiro dia de janeiro do ano de 1502, quando a Baía de Guanabara foi descoberta por navegadores portugueses que naquele momento, confundiram-se e julgaram estar na foz de um rio. Por causa da data recebeu, então, o nome de “Rio de Janeiro”.

O Rio de Janeiro por causa da sua localização - e pela cobiça que a riqueza brasileira despertou, tornou-se alvo de diversas invasões estrangeiras. Dentre elas, a mais importante foi a invasão francesa de 1555, durante o Governo-geral de Duarte da Costa, com sede na cidade de Salvador, Bahia. Por causa da distância, a resistência demorou a chegar e os franceses comandados por Nicolau Durand de Villegaignon, aliados aos índios Tupinambás, instalaram-se na Ilha de Serigipe (hoje, Ilha de Villegaignon), onde construíram o Forte Coligny. Tinham como objetivo criar a França Antártica: uma colônia para abrigar os protestantes que sofriam perseguição religiosa, na Europa.

Por cinco anos, Portugal tentou negociar com a França, não obtendo sucesso.

Em 1560, o governo português enviou uma esquadra comandada por Mem de Sá – que viria a ser o novo Governador-geral do Brasil, a fim de expulsar os franceses da região. A vitória só foi conseguida graças ao seu sobrinho Estácio de Sá e à aliança feita com os índios Temiminós, liderados pelo cacique Araribóia.

Então, no dia 1º de março de 1565, entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, foi fundada a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, sendo Estácio de Sá o seu primeiro governador.

Entretanto, mesmo depois de sua criação, a luta continuava e a Baía de Guanabara era o palco, principal, de sangrentas batalhas. Numa delas, em 1567, Estácio de Sá foi ferido por uma flecha envenenada vindo a falecer poucos dias depois.

Nessa ocasião, resolveu-se transferir a cidade para um local estrategicamente mais protegido. A área escolhida foi a região localizada em torno do Morro do Castelo. Porém, suas características – predominância de charcos, manguezais e terrenos baixos - obrigaram que as construções fossem levantadas no próprio Morro do Castelo. Daí surgirem tantas ladeiras que vieram a chamar-se Misericórdia, Ajuda, Castelo etc.

A cidade crescia lentamente mas aos poucos a população ia conquistando a sua parte baixa. Descendo o morro, seguindo pela restinga e margeando os sopés das elevações, a cidade ia se expandindo em lugares secos. Surgem, então, dois condutores do crescimento: um rumo ao Boqueirão (Lapa) e outro em direção à várzea de Nossa Senhora do Ó (Praça XV), denominada, na época, Rua Direita, hoje Rua 1º de Março. Ali, construíram-se as igrejas de: São José, Santa Luzia, Nossa Senhora do Ó e da Ajuda, além do Hospital da Misericórdia.

Em 1763, com a criação do vice-reinado, a sede da capital da colônia transferiu-se de Salvador para o Rio de Janeiro, tanto pelas suas condições geográficas quanto pela sua prosperidade, graças ao comércio do ouro vindo de Minas Gerais.

No ano de 1808, com a chegada da Família Real Portuguesa a cidade recebeu inúmeros melhoramentos e houve um significativo crescimento demográfico. Dessa forma, foi incentivado tanto o aumento do número de habitações quanto o aterro dos pântanos. Devido a essas medidas, foram criadas várias áreas de ocupação e abriram-se muitas ruas. Em direção ao norte, chegou-se ao Catumbi e a São Cristóvão. Indo para o sul, através do caminho do Catete, atingiu-se as regiões de Laranjeiras e Botafogo.

Foram criados, naquela época, diversos prédios e instituições, destacando-se a Real Academia de Belas Artes, a Imprensa Real, o Banco do Brasil, o Real Teatro São João, a Biblioteca Pública (hoje, Biblioteca Nacional), a Casa da Moeda, além do Real Jardim Botânico.

Ainda no século XIX, a Cidade do Rio de Janeiro foi cenário de importantes fatos históricos dentre os quais podemos citar: o Dia do Fico, a coroação de D. Pedro I e de D. Pedro II, a Abolição do Cativeiro, o Baile da Ilha Fiscal e a Proclamação da República. Enquanto isso, a cidade crescia e a sua população aumentava rápida e desordenadamente. Logo, aumentavam, também, os problemas de moradia, de urbanismo e de saneamento básico. No final do século, com o fim da escravatura, a cidade passou a receber grande quantidade de imigrantes europeus e de ex-escravos que aqui chegavam atraídos pela oportunidade de um trabalho assalariado. No centro antigo, as habitações coletivas multiplicavam-se e surgiam graves epidemias de febre amarela, varíola e cólera.

Nesse quadro social e urbano, assumiu a Prefeitura o engenheiro Francisco Pereira Passos, formado em Paris, com a determinação de elaborar um plano urbanístico que modificasse por completo a paisagem: era preciso sanear e embelezar a cidade. Ruas foram alargadas e amplas avenidas foram abertas para permitirem que a cidade atendesse às funções de centro comercial, financeiro e administrativo. Suas obras de maior vulto foram a modernização do porto, a abertura da Avenida Central (hoje, Rio Branco), a demolição do casario da “cidade velha” e a abertura e o alargamento de diversas ruas, além do embelezamento de logradouros públicos. Em decorrência da execução desse projeto, foram demolidos morros, quarteirões inteiros, muitos casebres e habitações coletivas. Cerca 1600 velhos prédios foram destruídos, ficando muitos de seus moradores sem ter onde morar. Surgiu, então, um novo tipo de habitação popular: a favela.

Após a revolução de 1930 que transformaria a sociedade rural oligárquica brasileira, em urbana e industrial, tornou-se necessário que o Rio de Janeiro acompanhasse esses novos tempos. Em 1937, então, Henrique Dodsworth assumiu a Prefeitura, executando novo plano urbanístico. Construiu a Avenida Presidente Vargas e a Esplanada do Castelo, abrindo também a Avenida Brasil, importante artéria viária de entrada e de saída da Cidade.

Nos anos 50 tornou-se, o Rio de Janeiro, a grande praça financeira do país, aliado a um rápido crescimento populacional, o que intensificou a expansão imobiliária.

Em 1960, a 21 de abril, Brasília foi inaugurada. Era a nova capital do país. A Cidade Maravilhosa deixou de ser Distrito Federal, passando a ser o Estado da Guanabara. Foi uma época, também, de grandes obras urbanísticas. Construiu-se o Aterro do Flamengo, vários viadutos, vias expressas, a Ponte Rio-Niterói e muitas outras obras.

Em 15 de março de 1975, deu-se a fusão entre o Estado da Guanabara e o antigo Estado do Rio de Janeiro. O novo Estado manteve o nome de Estado do Rio de Janeiro, tendo como capital esta Cidade, cujo território passou a constituir o Município do Rio de Janeiro.

Hoje, depois de tantos séculos, apesar das lutas, transformações e sofrimentos lá vai ela, a Cidade Maravilhosa, seguindo seu caminho junto ao mar, acolhendo o sol, encarando problemas, não rejeitando uma festa, confirmando em cada esquina, a sua fascinante e inexplicável vocação para ser feliz.

E além de tudo... ela continua linda!

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

•  Cavalcanti, Nereu. O Rio de Janeiro setecentista : a vida e a construção da cidade da invasão francesa até a chegada da Corte. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2004.

•  NO CENTRO, um pouco da história do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : EBID, 1992.

•  GUIA SÓCIO-ECONÔMICO dos municípios do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : Gráfica JB, 1993. v.1 Região Metropolitana.

 


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